sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mais um que se foi !

Pode parecer estranho comunicar o falecimento de um amigo tanto tempo depois, mas infelizmente só fiquei sabendo disso hoje à tarde. Recebi uma mensagem do Prof António Jorge Sousa do Instituto Superior Técnico de Lisboa perguntando se eu sabia que o  Prof. Manuel Serrano Pinto havia falecido.  Foi um choque duplo pois não sabia de nada e o pior é que ele faleceu em janeiro de 2011. Nos encontrávamos nos Congressos Brasileiros de Geologia e eventualmente nos intervalos. Colaborou com algumas matérias nesse blog. Sentiremos falta dessa belíssima figura humana, um geoquímico respeitado em todos os países de língua portuguesa.

Reproduzo abaixo a notícia postada por Filomena Amador no site, ou melhor no sítio da Associação Portuguesa de Geólogos .

Falecimento do Professor Serrano Pinto
A comunidade dos geólogos perdeu no início deste ano um Professor que marcou todos aqueles que com ele tiveram oportunidade de trabalhar. Estou a referir-me ao Professor Catedrático Manuel Carlos Serrano Pinto, da Universidade de Aveiro, cujo falecimento inesperado ocorreu recentemente.
O Professor Serrano Pinto desenvolveu a sua actividade de investigação na área da Geoquímica e Geologia isotópica. Porém, foi através da História da Geologia, onde também desenvolveu trabalho relevante, presidindo de 2000 a 2004 à International Commission on The History of the Geological Sciences (INHIGEO), que tive oportunidade de o conhecer. Desse primeiro contacto surgiu uma relação de trabalho, e, atrevo-me mesmo a dizer, de amizade. O Professor Serrano Pinto é alguém que sempre recordarei pelo sorriso aberto e compreensivo, pela cordialidade e disponibilidade para ajudar, pelos momentos de entusiasmo partilhados aquando da descoberta de alguns dados, e, por muitas outras memórias que correspondem a momentos partilhados nos congressos do INHIGEO.
O Professor Serrano Pinto iniciou a actividade profissional em Moçambique, tendo em 1975 ingressado na Universidade de Aveiro. Licenciado em Ciências Geológicas pela Universidade de Coimbra, adquiriu o grau de mestre e de doutoramento na Universidade de Leeds nas áreas da Geoquímica e da Petrologia. No domínio da História da Ciência destaca-se ainda o facto de ser membro fundador do Centro de Estudos de História e Filosofia da Ciência e da Técnica da Universidade de Aveiro (CEHFCT).

Filomena Amador
Fonte: Associação Portuguesa de Geólogos http://www.lojadasideias.com/apgnews4/

terça-feira, 14 de junho de 2011

SAFOD

O Scientific Drilling, periódico do IODP( Integrated Ocean Drilling Program), na edição  n°11 de Março de 2011, traz uma matéria espetacular Scientific Drilling into the San Andreas Fault Zone – an Overview of SAFOD’s First Five Years que relata as atividades do San Andreas Fault Observation at Depth (SAFOD). O objetivo do projeto é o estudo das propriedades e respostas geofísicas, geoquímicas e a observação direta da Falha San Andreas e os processos que controlam o falhamento e a geração de terremotos ao longo de um plano de falha ativa e limitante de uma placa, em profundidade. 
Parkfield, California é a base do SAFOD e por isso é onde está a base do equipamento de sondagem responsável pela perfuração de um poço com desvio direcionado para atingir a falha. Iniciou com um poço piloto vertical com sonda Rotary de coroa de 22,2 cm e diâmetro de revestimento de 17,8 cm que terminou aos 2.200 metros. Após terem sido feitas todas as medições, o poço piloto foi usado para um registro de microterremotos naturais e para o imageamento de megaestruturas vizinhas à falha de San Andreas.  
A perfuração definitiva inicialmente vertical foi realizada em três etapas – verões de 2004 e 2005 e 2007 - e a aproximadamente 1.500 metros foi desviada em 60° em direção à falha para intersectá-la nas vizinhanças de uma região onde ocorriam freqüentes terremotos. Levantamentos geofísicos haviam definido que na profundidade de intersecção, a falha teria cerca de 200 metros de espessura com diversas zonas bem definidas de 2-3 metros, o que se confirmou. O movimento ao longo de duas zonas situadas a 3192 e a 3302 metros (medidos ao longo do poço) foram responsáveis pela deformação do revestimento e da cimentação.
A instalação do SAFOD foi completada em 28 de setembro de 2008 com cinco estojos com diversos tipos de sensores geofísicos como sismômetros, acelerômetros e eletromagnéticos. Em diversas profundidades foram coletados testemunhos (figura ao lado) que agora estão sendo estudados por diversos laboratórios em todo o mundo.

Para saber mais: http://iodp.org/

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Novos softwares adicionados

Adicionei novos links para softwares.
Um grupo direcionado para cálculos e modelagens fisicas e químicas de rochas ígneas. Todos estão na página de Ken(neth) Wohletz, do Laboratório Nacional de Los Alamos e que está entre os mais importantes vulcanólogos da atualidade.
Também adicionei um link para a versão 2.0 do PHREEQC, o mais famoso e utilizado software para modelagem hidrogeoquímica. Produzido pela equipe do USGS é voltado à especiação, modelagem de transporte e diversos cálculos e gráficos geoquímicos.
Finalmente o R Project, um pacote  para computação estatística e gráfica desenvolvido com o conceito de software livre. A versão é de 13 de abril de 2011.
Veja na coluna à direita desse blog em Softwares para geoquímicos

sábado, 11 de junho de 2011

A caixa de ferramentas está aberta !

Não é comum encontrar artigos em periódicos científicos cujos autores são geólogos de empresas de exploração. Os achados são compreensivelmente guardados a sete chaves já que são vantagens evidentes na corrida entre empresas concorrentes. Por isso, o artigo Beyond the Obvious Limits of Ore Deposits: The Use of Mineralogical, Geochemical, and Biological Features for the Remote Detection of Mineralization escrito por David L. Kelley1 , Karen D. Kelley2, William B. Coker3, Brenda Caughlin4 and Mary E. Doherty5 (1 Newmont Mining Corporation, 2 U. S. Geological Survey, 3 BHP Billiton World Exploration Inc., 4 ALS Chemex) é motivo de espanto. O espanto não é criado apenas pela composição e afiliação  do grupo de autores, mas pela revisão moderna de técnicas que têm sido desacreditadas, pouquíssimo testadas e utilizadas ou então aplicadas de maneira equivocada pelas empresas de exploração que centram seus trabalhos de seleção de alvos com base em modelos exploratórios centrados no panorama geológico ou então na aplicação extensiva de técnicas geofísicas.
Mesmo que esse artigo tenha cerca de 5 anos (Economic Geology, June 2006; v. 101; no. 4; p. 729-752)  continua atualíssimo pois examina os padrões primários e secundários de dispersão de depósitos minerais que se refletem e são capazes de serem detectados por técnicas de amostragem e análise geoquímica, biológica e mineralógica.

Alguns temas examinados são :
- a geoquímica da apatita para distinguir rochas intrusivas favoráveis a mineralizações IOCG (Iron Oxide Copper Gold); 
- a mineralogia de resistatos para identificar depósitos do tipo VMS (Volcanogenic Massive Sulfide);
- a geoquímica da pirita como vetor de mineralizações do tipo SEDEX (Sedimentary Exalative);
- a concentração de halogênios (Cl, Br e I) na identificação de centros mineralizados;
- as diferenças na composição isotópica (S, O, C) entre intrusões e encaixantes estéreis das férteis;
- a cristalinidade da ilita e a termocronologia da apatita e do zircão valiosos especialmente para depósitos com história terma de baixa temperatura;
- gradientes redox encontrados entre porções oxidadas e reduzidas associadas com depósitos de sulfetos;
- variações no pH, potencial de oxidação-redução e potencial espontâneo na cobertura de depósitos de ouro sulfetado e VMS;
- as diversas espécies de gases aprisionados nos poros do solo (O2, O2, Hg, Rn, He, compostos de S e hidrocarbonetos leves) que têm sido encontrados sobre depósitos de vários tipos de depósitos minerais;
- o enriquecimento geoquímico nos materiais biológicos, especialmente vegetais, e nos solos é bem reconhecido mas pouco se sabe sobre o papel dos micro-organismos;
- microorganismos acentuam a cinética da oxidação dos sulfetos e a redistribuição secundária dos metais ao redor de depósitos minerais;
- a presença de cepas de bactérias resistentes a teores elevados de metais pode sugerir a presença de depósitos minerais não aflorantes ou profundos.

 A relação de possibilidades é muito grande e com diferentes níveis de especialização e sofisticação tecnológica, o que mostra de maneira clara que há muita pesquisa pela frente para acrescentar alternativas à caixa de ferramentas da exploração mineral

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Puyehue e suas cinzas

A precipitação dos particulados do Puyehue começou nos três estados do sul do Brasil na madrugada de quinta feira (9/6/2011) e deve terminar em poucos dias.
Hoje de manhã, recebi um telefonema do Cassio Silva da CPRM solicitando a colaboração para a coleta de amostras das cinzas do Puyehue no Paraná.
A idéia inicial era de uma análise quimica multielementar para caracterizar possíveis riscos à saude da população. Sugeri que também fosse feita uma caracterização das particulas (morfoscopia e dimensões) com imagens de microscopia eletrônica de varredura SEM.
Para quem gostaria de participar dessa rede expedita de amostragem, vou repetir as recomendações para padronizar os procedimentos que são muito simples. Infelizmente o evento explosivo não avisou que iria acontecer e assim não foi possível preparar uma metodologia nem montar uma rede adequadas para a coleta dos particulados, mas temos que aproveitar essa oportunidade.
Essa é a mensagem do Cássio:

"O SGB/CPRM esta tentando coletar amostras das cinzas vulcânicas emanadas pelo vulcão chileno Puyehue para serem analisadas principalmente para o metais pesados.
Segundo noticiário da imprensa brasileira que já estão atingindo os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, podendo ainda chegar no Paraná.
Em geral as cinzas vulcânicas carregam uma grande quantidade de particulas contendo inumeros elementos químicos, alguns saudaveis (P, K..)e outros nocivos (Pb, Hg, As..) a saúde ambiental.
Não sabemos por quanto tempo essas cinzas estarão caindo, assim aqueles pesquisadores que puderem ter acesso ou coletar esse material, poderão envia-lo para uma das unidades da CPRM que providenciaremos a análise. (...)
Podem me contactar nos tels: 21.22956147/25433308
Abraços
Cassio
SGB/CPRM-RJ "

Esta é a metodologia para a coleta das amostras:
Máxima higiene do material: bacia limpa e lavada assim como as mãos e recipiente final.
Se for possível usar água destilada. Se não for possível, usar água de torneira mesmo.
Usar uma bacia de plástico com abertura grande de uns 40-60 cm.
Deixar a bacia exposta por uma semana, em local aberto mas protegido do vento, para evitar a perda do material depositado.
Escolher um local protegido de eventuais ações antrópicas como chaminés de indústrias e ruas ou estradas não pavimentadas.
Se chover, não proteger a bacia, pois muito material particulado será depositado junto com a chuva
Para a coleta do material retido na bacia, usar um pouco de água e o dedo bem limpo, fazendo o material escorrer para um saco plástico limpo ou frasco de vidro limpo.
Fechar bem e enviar para a CPRM conforme as indicações do Cássio, não esquecendo de enviar junto com a amostra, as informações da localização e das condições locais como pluviosidade no período, diâmetro da abertura da bacia e por quanto tempo ela ficou exposta.
A amostra não deve ser seca ao forno ou ao sol para evitar perdas de componentes voláteis. Ela será secada em condições controladas de laboratório

Hoje à noite já coloquei duas bacias numa parte protegida do telhado de minha casa e espero que outros colegas façam o mesmo, colaborando com esse projeto do Serviço Geológico do Brasil.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sismólogos serão julgados por genocídio !

Sete cientistas e técnicos que analisavam a atividade sismica antes do devastador terremoto de l'Aquila de 6 de abril de 2009 serão levados a julgamento pelo Juiz Giuseppe Gargarella. Ele considerou que o caso merece ir a julgamento porque não teriam avisado a população do risco iminente que acabou matando 308 pessoas.
Apesar dos protestos de centenas de cientistas e associações científicas do mundo inteiro o juiz vai iniciar o processo.

Matéria da Folha de São Paulo de 6/4/2009, mostrava que os cientistas haviam previsto e teriam alertado a Defesa Civil:
O pesquisador Giampaolo Giuliani, do Laboratório Nacional de Gran Sasso, alertou às autoridades há algumas semanas que um grande terremoto atingiria a região italiana de Abruzzo no último dia 29 de março. O chefe da Proteção Civil, Guido Bertolaso, rejeitou o alerta e criticou "aqueles que se divertem divulgando notícias falsas". A informação foi publicada pelo jornal italiano "Corriere della Sera", nesta segunda-feira, horas após um tremor de 6,3 graus na escala Richter atingir a região e deixar ao menos 50 mortos.
Segundo a publicação, Giuliani foi denunciado por alarme falso e Bertolaso reiterou que "todos sabem que não se pode prever terremotos".
"Não é verdade, nós o previmos", rebateu Giuliani, após a confirmação do terremoto que atingiu Áquila às 3h32 desta segunda-feira --22h32 deste domingo (5) no horário de Brasília. "É possível que me punam amanhã, mas eu confirmo, não é verdade. É falso que não se pode prever terremotos", completou. Giuliani afirmou ao jornal, nesta segunda-feira, que os pesquisadores do laboratório trabalham há dez anos para prever eventos como terremotos desta escala que devem acontecer a uma distância de 100 quilômetros a 150 quilômetros do centro.
"Há três dias, vimos um forte aumento no nível de radônio [um gás radioativo derivado do urânio no solo], de fora da região de segurança. E este aumento significa um forte terremoto", disse o pesquisador. "[O terremoto] podia ser visto [na madrugada desta segunda-feira] se alguém tivesse ido trabalhar ou estivesse preocupado."

Fontes: http://www.sciencemag.org/content/332/6034/1135.summary?sid=fbd4799b-aef2-4998-b71c-3bfa304623ee
           http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u546498.shtml

domingo, 29 de maio de 2011

Técnicas geoquímicas em perícias forenses

Dentre as aplicações das técnicas gequímicas, a perícia forense é sem dúvida uma das mais instigantes. Encontrar evidências e rastros que levem a localização da vítima e à prisão e punição dos culpados é algo que prende a atenção nos seriados C.S.I. (Crime Scene Investigation).  O breve resumo abaixo mostra a eficiência das técnicas geoquímicas nas pesquisas realizadas na Bolívia para identificar o local e recuperar os restos mortais do grupo de Che Guevara.
Após sua captura em 8 de outubro de 1967, os sobreviventes do grupo guerrilheiro de Che Guevara foram levados para a base de operações do exército boliviano, no campo de pouso de Vallegrande no sudeste da Bolívia. Após as torturas de praxe, foram executados e o destino dos corpos permaneceu uma incógnita até 1995, quando o general boliviano aposentado Mario Vargas Salinas concedeu uma reportagem ao The New York Times dizendo que os corpos haviam sido sepultados ao lado da pista velha do aeroporto de Vallegrande. Em 1996, sucedendo uma equipe de arqueólogos argentinos que não havia sido bem sucedida, uma equipe de especialistas cubanos recebeu autorização do governo boliviano para continuar as buscas. A partir de informações históricas, os trabalhos de prospecção arqueológica começaram em janeiro de 1997 em 12 zonas totalizando 9.000 m² com escavações controladas a cada metro. Dentre as técnicas exploratórias utilizadas as determinações de fosfato e de pH foram as mais eficientes em virtude do contraste entre os solos da região e as possíveis anomalias geradas pela decomposição dos corpos. Os solos da região são pobres em fosfato e neutros a ligeiramente ácidos. Ao final, com a descoberta dos restos mortais foi comprovado que as anomalias de altos níveis de fosfato e de baixos valores de pH se restringiram à área ocupada pelos corpos que estavam amontoados em uma cova.
As técnicas geoquímicas foram ferramentas auxiliares importantes às técnicas geofísicas como o geo-radar na localização e recuperação dos restos mortais do grupo. A identificação de cada guerrilheiro inclusive de Che Guevara foi feita com base em análises forenses de radiografias dentais, superposição craneofotográfica e DNA.

Fonte:  
Roberto Rodriguez Suárez. Arqueologia de uma procura e de uma busca arqueológica: a história do achado dos restos de Che Guevara. Capítulo I, pg 29-51. In: Pedro Paulo A. Funari, Andrés Zarankin, José Alberioni dos Reis(org.) Arqueologia da repressão e da resistência na América latina na era das ditaduras (décadas de 1960 / 1980). São Paulo. Annablume. FAPESP 2008

domingo, 22 de maio de 2011

Agora foi o Grimsvotn

De novo, vulcanismo básico e explosivo, sim senhor !
O vulcão Grimsvotn localizado sob a Vatnajokull, a maior geleira da Europa,  no sudeste da Islândia entrou em erupção hoje, 22 de maio de 2011.
O modelo é o mesmo que o do Eyjafjallajokul: com o aquecimento, a geleira derreteu e a água penetrou por fissuras e atingiu o conduto. Com a interação água-magma, a erupção hidrovulcânica continental, fortemente explosiva emitiu uma coluna de cinza e vapor  que alcançou os 20.000 metros de altitude.

O geofísico Magnus Tumi Gudmundsson da Universi-dade da Islândia disse que essa foi a maior erupção do Grimsvotn nos últimos 100 anos muito maior e mais intensa que a do Eyjafjallajokull, que ocorreu em 2010.
As primeiras informações dizem que a cinza é mais grossa que a do Eyjafjallajokul e assim o impacto na Europa deve ser mais restrito e rápido.
Aproveite o mapa acima e veja no extremo sul da Islândia a localização do Surtsey, vulcão que deu o nome às erupções surtseyanas, também hidrovulcânicas, porém  submarinas.

Veja o histórico do primeiro dia da erupção em
http://www.nat.is/travelguideeng/plofin_grimsvotn_diaries.htm ,
a primeira filmagem aérea da erupção em
http://visir.is/section/MEDIA99&fileid=CLP4238
e a reportagem da Eurovisão em português em
http://www.youtube.com/watch?v=67jnYETI8xA

sábado, 21 de maio de 2011

E o mundo não acabou !

Escrevo essa postagem às 22:42 hs de 21 de Maio de 2011. Até esse momento o mundo não acabou, ou pelo menos não senti nada de indicasse tão terrível evento:  nenhum tremorzinho de terra, nenhuma dor de cabeça, nenhuma nuvem escura ou revoada desesperada de pássaros. Porém talvez algo tivesse acontecido e eu não tivesse sido avisado pelo Jornal Nacional da Rede Globo. Fiquei curioso e fui pesquisar com mais cuidado e descobri que hoje não seria o fim do mundo mas sim o dia do juízo final. Só depois de descobrir isso, consegui respirar aliviado.
Segundo o site http://law2.umkc.edu/faculty/projects/ftrials/scopes/ussher.html, há exatos 13.024 anos Deus teria criado Adão e Eva o que sugere que houve uma atualização da data desde o século XVII pois, consta que em 1642, Dr. John Lightfoot, vice Chanceler da Universidade de Cambridge, concluiu que a Terra foi criada no Domingo 12 de setembro de 3928 AC e que em 1658, o arcebispo irlandês, James Ussher, publicou seus cálculos nos Anais do Velho Testamento e da Origem do Mundo (figura ao lado) e definiu que a Terra foi criada no Domingo, 23 de outubro de 4004 AC, começando no por-do-sol do dia 22 (http://www.lhup.edu/~dsimanek/ussher.htm).

Mas, agora que tudo ficou devidamente esclarecido , e ainda estamos por aqui, fiquemos todos avisados de que o fim do mundo está marcado impreterivelmente para 11 de outubro de 2011, durante o XIII Congresso Brasileiro de Geoquímica.
Podemos até discutir se vale a pena continuar com toda aquela trabalheira de coletar amostras selecionadas, prepara-las criteriosamen-te, realizar análise geoquímica isotópica em laboratórios ultra limpos, calcular e desenhar isócronas, e  tudo mais. É mais uma razão para estarmos todos em Gramado, RS.
Leia as 10 maiores vigarices do gênero "fim do mundo" em http://astropt.org/blog/2011/05/27/10-previsoes-incriveis-sobre-o-fim-do-mundo/?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+astropt%2FgzsD+%28Blog+de+Astronomia+do+astroPT%29

Sabedoria indígena

Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas.
Ele disse:
-  Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.
Um é Mau, é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressen-timento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e egoísmo.
O outro é Bom, é alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, solidariedade e compaixão.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:
- Qual lobo vence?
O velho índio respondeu:   
- Aquele que você alimenta!