quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Augusto Gansser-Biaggi, o Pai do Himalaia

Augusto Gansser-Biaggi nasceu em Milão em 1910. Em 1936 graduou-se em Geologia pela Universidade de Zurique, mas com 24 anos e antes de sua graduação já participava de uma expedição à Groenlândia. No ano de sua graduação, participou da primeira expedição suiça ao Himalaia e ao Tibet e em seguida participou de diversas expedições científicas aos Andes, ao Ártico canadense, Urais, Patagonia, Antartida e Oriente Médio, Afeganistão e Roraima. 
 
Em 1958, o Prof Gansser foi convidado para assumir a Chefia da secção de Geologia do Instotuto Federal de Tecnologia e a Universidade de Zurique. Participou de outras expedições ao Himalaia, Pakistão, Ladakh, Nepal, Tibet e especialmente Butão.
Os resultados de suas pesquisas foram objeto de inúmeras publicações. Recebeu a Patron's Medal of the Royal Geographical Society London pela publicação do livro Geology of the Himalaya.
Entre as muitas honrarias que recebeu, provavelmente a mais importante, foi o título de "Baba Himalaya" (pai do Himalaya) concedido pela Universidade de Peshawar, Paquistão.
Morreu aos 101 anos, em 12 de Janeiro de 2012, em Lugano, Italia.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Feliz 2012

Muitos fatos particulares e profissionais me impediram de postar matérias nesses últimos dois meses, mas espero que em 2012 as coisas voltem ao normal.A todos os visitantes frequentes e eventuais desse blog desejo um excelente 2012.

domingo, 6 de novembro de 2011

Se não for o primeiro ...

Garimpando na Internet, encontrei uma coleção da Popular Mechanics, revista muito popular que trazia os mais recentes avanços da mecânica, eletrônica e divulgação da ciência em linguagem simples e compreensível plos "comuns mortais".  
Na edição de maio de 1948 (volume 89, número 5) está o artigo muito rico e preciso "Hungry plants, guide the ore prospector", assinado por Maxwell Grant que trata da aplicação da biogeoquímica na exploração mineral. Mesmo considerando que o artigo foi escrito com base numa aplicação da ciência relativamente recente e com técnicas analíticas desatualizadas, serve de referência para estabelecer as bases de uma tecnologia.
No sumário (página 3) junto com artigos dedicados aos apaixonados por novidades como a construção de um projetor de slides em sua oficina doméstica, ou os cuidados com os plugs elétricos, ou ainda a 3ª parte do projeto do iate Sea Craft está na página 130 a indicação dessa novidade da ciência aplicada que é a localização de depósitos minerais por meio do estudo da acumulação de metais em espécies vegetais.

Na primeira página do artigo, uma indicação jornalística de que um prospector fez fortuna descobrindo um depósito de ouro, ao seguir as indicações dos talos de uma erva cauda-de-cavalo (horsetail weed). Essa erva é um Equisetum que tem a capacidade de acumular ouro, cobre, chumbo, cadmio e zinco. Acumula também silica o que torna suas folhas ásperas e com bordas cortantes (http://www.gardenorganic.org.uk/organicweeds/weed_information/weed.php?id=10). Na mesma página, tres fotos mostram prospectores coletando amostras de vegetais em frascos de vidro para análise química, observando um mapa com a localização das amostras e seu uso na localização de depósitos minerais e a a última a coleta de amostras de água fluvial para prospecção hidrogeoquímica, já que "streams may carry minerals.".
O artigo faz referência ao "engenheiro de minas finlandês Kalervo Rankama" que usando folhas de bétula, localizou um jazimento de Cu-Ni escondido sob espesso depósito glacial e aos prospectores chilenos que encontraram um jazimento de Cu na região andina seguindo as indicações fornecidas por uma erva comum.
Os "segredos" da geobotânica são desvendados pelo Dr. John Herman químico de Los Angeles, que explica  que os metais traço se concentram em orgãos específicos dos vegetais, folhas, frutos e flores, que ele encontrou Ag em batatas, propriedades que são usadas pelos prospectores para encontrar depósitos minerais.
As amostras são colocadas em um forno elétrico e as cinzas do material são analisadas por espectografia óptica de emissão que produz um negativo fotográfico no qual as raias negras mostram os metais presentes.
Se os teores dos metais esperados numa planta "indicadora" forem ultrapassados pelos da amostra analisada, isso será uma excelente indicação que o prospector está no caminho certo. Marcando os resultados analíticos em um mapa ele poderá delimitar as maiores concentrações do metal nos vegetais e assim correlacioná-los com a presença de um depósito mineral.
Da mesma forma, os rios de uma área podem ser amostrados, e a posição da amostra indicada num mapa. No laboratório, as análises são feitas em um polarógrafo - antigo equipamento analítico baseado na diferença de potencial entre um fluxo de mercúrio metálico puro e depois de a amostra ser acrescentada. Novamente o Dr. Hermann é citado pela sua experiência em analisar centenas de amostras e ser capaz de detectar valores tão baixos quanto  "inacreditáveis poucas partes em 100,000,000" (o que significa centésimos de ppm).
Tudo isso fica mais "inacreditável" quando observarmos as fotografias do laboratório do Dr. Herman na página 133 e comparamos as condições de asseio com os padrões de qualidade nos laboratórios atuais.
A referência à toxicidade dos metais em diferentes espécies é muito atual com o período "Like human beings, different plants have different tastes. One craves a mineral which may be poisonous to another". Diversos exemplos de vegetais indicadores diretos são citados, como a Amorpha canescens, a chave para depósitos de Pb no Missouri.
Finaliza o artigo fazendo referência a relação existente entre a sanidade vegetal em plantações que pode ser desequilibrada por excessos e deficiências em diversos elementos.

domingo, 30 de outubro de 2011

Foi um sucesso absoluto !

O XIII Congesso Brasileiro de Geoquímica que aconteceu em Gramado no início de outubro foi um sucesso absoluto. Cerca de 600 inscritos (200 profissionais, 200 estudantes de graduação e 200 pós graduandos) e convidados, responsáveis por cerca de 500 palestras, exposições orais e posteres e um mesa redonda. Diversos convidados brasileiros e estrangeiros apresentaram suas experiências e conhecimento em palestras plenárias. A Comissão Organizadora comandada pelo Prof André Mexias da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, merece os parabéns pela estrutura e distribuição dos temas, infraestrutura e escolha do local.
O XIV Congresso Brasileiro de Geoquímica ocorrerá em 2013 em Diamantina, MG e o XV CBGq de 2015, tem a cidade de Natal, RN como local indicativo de sede.

domingo, 23 de outubro de 2011

Demorou mas chegou !

CNPq divulga diretrizes éticas para a pesquisa


A comissão, coordenada pelo diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, Paulo Sergio Lacerda Beirão, foi criada em maio último, após denúncia de fraude em publicações científicas envolvendo pesquisadores apoiados pela instituição. De acordo com o presidente do CNPq, Glaucius Oliva, “diante da inexistência de normas internas específicas e instrumentos estabelecidos para o tratamento adequado de ocorrências desta natureza, a Diretoria Executiva decidiu criar uma Comissão Especial, com a missão de propor recomendações e diretrizes sobre o tema da Ética e Integridade na Prática Científica”.
Segundo Beirão, o CNPq constituirá uma comissão permanente para difundir informações sobre pesquisa ética, principalmente sobre o ponto de vista da publicação científica. O mesmo grupo se encarregará de analisar as denúncias que chegarem à instituição. As regras propostas preveem que as denúncias de infrações serão submetidas a um juízo prévio da comissão permanente. Se julgadas verossímeis, o CNPq criará uma comissão extraordinária de especialistas para análise do caso. A Comissão entende que é preciso cuidado “para não se estimular denúncias falsas ou infundadas”. “A investigação não caberá à instituição onde o cientista trabalha”, informa Beirão, “pois queremos garantir imparcialidade”, destaca.
O texto proposto tipifica quatro condutas ilícitas, a falsificação, a fabricação de resultados, o plágio e o autoplágio, este definido como a republicação de resultados científicos já divulgados como se fossem novos, sem informar a publicação prévia. Condena também a inclusão de pessoas como autores, que só tenham emprestado equipamentos ou verba, sem participação intelectual no artigo científico.
As punições para os delitos mais graves incluem a suspensão de financiamento por meio de bolsas e, eventualmente, a devolução do recurso investido pelo CNPq no trabalho. O diretor Beirão explica que a instituição é uma agência de fomento, não pode demitir pessoas ligadas a outras entidades, “o máximo que conseguimos é cortar o investimento”.
Como parte das ações preventivas, o CNPq deve estimular que disciplinas com conteúdo ético e de integridade de pesquisa sejam oferecidas nos cursos de graduação e pós-graduação.

Fonte: http://www.cnpq.br/

sábado, 1 de outubro de 2011

Falta apenas uma semana !

A cada dois anos se realiza o Congresso Brasileiro de Geoquímica. Daqui uma semana, a 13ª edição acontecerá em Gramado, RS, junto com o III Simpósio de Geoquímica dos Países do Mercosul.
Uma grande programação técnica, um local adequado para dois eventos simultâneos e uma cidade espetacular para turismo (Gramado, Canela, São Francisco de Paula, Itaimbezinho e muitos outros).
Veja toda programação em http://geoquimica.eventize.com.br/
Se você estava em dúvida, ainda há tempo para fazer a sua inscrição, reservar o hotel e comprar a sua passagem. Até lá !

domingo, 11 de setembro de 2011

Um vulcanólogo, talvez o primeiro deles

Há poucos dias recebi o livro Volcanoes - Fire from the Earth de Maurice Kraf, que comprei na Amazon. Apesar do formato de pocket book, é um livro belíssimo, lindamente ilustrado, que faz uma profunda revisão da vulcanologia desde os primórdios até 1991 quando  Maurice e sua esposa Katia, morreram na erupção do Unzen em 3 de Junho de 1991 (veja a postagem de 6 de março de 2011).
As referências feitas a George Poulett Scrope, frequentemente citado como quem teria usado pela primeira vez o termo "peperito" na região de Auvergne, França, me fizeram pesquisar melhor sua obra e buscar sua biografia.
George Julius Thompson (era seu nome de batismo), nasceu em 10/03/1797 em Londres. Estudou em escolas reservadas a filhos de familias abastadas como o Harrow School (onde também estudaram Winston Churchill e Jawaharlal Nehru). Em 1816 foi transferido para o St. John's College em Cambridge, onde teve contato com os professores Clarke e Sedgwick que lhe incutiram a paixão pela geologia e especialmente pela vulcanologia. Em 1817-18 viajou com os pais para o sul da Itália onde teve o primeiro contato com o Vesúvio. Em 1818 adotou o sobrenome Poulett, de um ramo aristocrático de sua familia. Anos depois, casou-se com  Emma Phipps Scrope, de quem adotou o sobrenome (a pronúncia é Scrup) em substituição ao Thompson. Foi assim que surgiu o nome conhecido dos vulcanologistas, George Julius Poulett Scrope (que era um sósia perfeito do músico italiano Giuseppe Verdi - veja ao lado). Era um magistrado, político, economista e cientista social, atividades que deviam garantir o sustento da família e financiar suas pesquisas e expedições científicas. Foi amigo e parceiro de Charles Lyell na consolidação dos conceitos do Uniformitarismo e batalharam juntos contra o Netunismo de Werner. Visitou os centros eruptivos de Auvergne, sul da Itália, Ilhas Lipari e Eifel. Ele estudou as acumulações de cinza e lava que compõem os cones e provou que derrames espessos podem avançar mesmo em vertentes com mais de 30°, confrontando seriamente as teorias de Leopold von Buch de que os aparelhos vulcânicos se elevavam por uma "força vulcânica interna" e  que seus cumes teriam se abatido, formando assim as crateras circulares. Mas a maior contribuição de George Scrope foi mostrar a importância dos gases e da água contidos no magma em profundidade, os quais estão sob pressão devida ao peso das rochas sobrejacentes.  Na menor queda de pressão, os gases se separam do material sólido e a água se transforma em vapor, provocando a ascenção do material fundido e a subsequente erupção. Ele também relatou que quando um vulcão emite uma sucessão de diversos tipos de lava (por exemplo, basaltica seguida por traquítica) é porque os processos químicos modificaram lentamente a composição do magma no reservatório, e que a fluidez da lava, depende de sua composição mineralógica, seu conteúdo em gases e sua temperatura. Ele acreditava que o magma era o resultado do calor produzido no nascimento de nosso planeta. Com sua perspicácia na observação da natureza,  lançou as bases da vulcanologia moderna.

Para saber mais:
Kraft, M. (1993) Volcanoes - Fire from the Earth. Harry N. Abrahams. New York. 207 p. 

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Carta Aberta sobre o “Rio Hamza”

A idéia "revolucionária" lançada por pesquisadores do Observatório Nacional de que existe um rio sob o Amazonas, tão ou maior que ele, mas que flui a razão de centimetros a cada ano, foi amplamente divulgada na imprensa nacional e internacional. Diversos geólogos participantes da rede de discussão da FEBRAGEO - Federação Brasileira de Geólogos, discutiram amplamente essa idéia e redigiram um texto que manifesta sua opinião contrária, com o qual concordo integralmente: 
            Uma ideia subjetiva foi apresentada durante o 12º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio de Janeiro, e divulgada na mídia no mês de agosto de 2011: "abaixo do Rio Amazonas, no interior das rochas a 4.000 metros de profundidade, haveria um "rio subterrâneo" com 6.000 km de comprimento e 400 km de largura”.
            Tal trabalho seria apenas criticável no âmbito da ciência, se restrito aos círculos acadêmicos. No entanto, para surpresa da comunidade geológica, a comunicação, que estava restrita ao Congresso, foi enviada, provavelmente via release, a inúmeros veículos de divulgação científica e não científica.
            A divulgação de um resultado de pesquisa simplista, que usou dados concretos para chegar a conclusões improváveis, inclusive usando definições incorretas, prejudica a divulgação da ciência e desinforma o público. Proveniente de um grupo de pesquisa do Observatório Nacional, a informação correu mundo sob o nome "Rio Hamza", em alusão a um dos envolvidos na pesquisa. Entretanto, trata-se de uma conclusão precipitada de uma tese de doutorado baseada em dados indiretos - medidas de temperaturas de poços para petróleo perfurados a partir dos anos 1970. Além disso, a conclusão não foi avaliada por pesquisadores independentes e contém uma série de imprecisões de interpretação e de linguagem, ferindo conceitos arraigados nas Geociências.
            O rio Amazonas atravessa, de oeste para leste, sucessivamente cinco grandes bacias sedimentares, denominadas Acre, Solimões, Amazonas, Marajó e Foz do Amazonas. Em geologia, “bacia sedimentar” significa uma depressão que, ao longo do tempo, recebe diferentes materiais sedimentares (areia, lama, etc) de uma ou mais fontes. Essas bacias estão preenchidas por uma sucessão de camadas de rochas sedimentares com milhares de metros de espessura. Quando porosas, as rochas contêm água subterrânea, situação comum em bacias sedimentares. Se, além de porosas, as rochas forem permeáveis (os poros interconectados), em geral há fluxo de água subterrânea, normalmente com velocidades medidas em cm/ano. A situação também é normal em bacias sedimentares e os diversos aquíferos das bacias atravessadas pelo Rio Amazonas são conhecidos e vem sendo estudados há tempos pelos geólogos brasileiros.
            Uma explicação aceita pela ciência geológica brasileira é de que o “Rio Hamza”, “descoberto” pelos geofísicos do Observatório Nacional, não é um rio, mas um possível fluxo muito lento no interior de um aquífero formado por rochas sedimentares porosas e permeáveis. Mesmo como figura de linguagem, o termo “rio subterrâneo” utilizado por aqueles pesquisadores está absolutamente incorreto para o caso em questão, visto que esse termo é usado, e apenas com cautela, nas situações em que águas fluem através de cavernas. A água não é doce – a essa profundidade trata-se de uma água supersaturada em sais solúveis, ou seja, uma salmoura. Não está comprovada a continuidade do aquífero profundo por 6.000 km, nem se faz ideia se há descarga de suas águas para outras bacias sedimentares próximas. É uma temeridade afirmar, como se fez na Tese em debate, que a água deste aquífero exerceria alguma influência na salinidade de águas marinhas próximo à foz do atual rio Amazonas. A existência de “bolsões de água doce” no Oceano Atlântico próximo deve-se à tremenda descarga do Rio Amazonas, cujas águas invadem o mar por muitos quilômetros desde sua foz.
            A forma equivocada de divulgação de resultados de pesquisa, ainda preliminares, abala a credibilidade da pesquisa brasileira, como neste caso, em que a “descoberta” de um falso "rio subterrâneo" foi alardeada de maneira precipitada e sensacionalista.
            Os signatários desta carta aberta vêm, de forma responsável, contestar as conclusões tomadas como certas, mas que na verdade carecem de qualquer sentido técnico à luz da ciência geológica que se pratica no Brasil e no mundo.
Prof. Dr. Celso Dal Ré Carneiro (UNICAMP)
Prof. Dr. Eduardo Salamuni (UFPR)
Prof. Dr. Luiz Ferreira Vaz (UNICAMP)
Prof. Dr. Heinrich Theodor Frank (UFRGS)
Apoio: Federação Brasileira de Geólogos - FEBRAGEO
Associação Profissional Sulbrasileira de Geólogos - APSG
Sociedade Brasileira de Geologia - Núcleo Rio Grande do Sul e Santa Catarina SBG-RS/SC

sábado, 3 de setembro de 2011

The Ig Nobel Prizes

"Last, but not least, there are the Ig Nobel awards. These come with little cash, but much cachet, and reward those research projects that 'first make people laugh, and then make them think."
Essa foi a referência elogiosa do clássico e respeita-do periódico científico Nature ao evento de premiação anual que celebra, desde 1991, as pesquisas insólitas que refletem o interesse das pessoas pela ciência, medicina, literatura, paz e tecnologia.

Selecionei alguns dos medalhistas Ig Nobel entre as dezenas de espetaculares descobertas científicas e inventos que mostram a enorme capacidade do ócio criativo.
 
1991 - Química  – Jacques Beneviste, um dedicado e prolífico correspondente de Nature, pelo seu persistente pesquisa e descoberta de que a água, H2O, é um liquido inteligente e por demonstrar que a água é capaz de lembrar eventos e fatos mesmo depois que esses fatos se esvaneceram.
1992 - Arqueologia – Eclaireurs de France (uma organização de escoteiros da França), removedores de grafitti, por danificar as pinturas rupestres  de dois bisões na Caverna de Mayriére, próximo da vila de Bruniquel, França.
1992 - Literatura – Yuri Struchkov, um frenético autor do Institute of Organoelements Compounds de Moscow, pelos 948 artigos científicos publicados entre 1981 e 1990, o que dá uma média de um artigo a cada 3,9 dias.
1992 - Medicina – F. Kanda, E. Yagi, M. Fukuda, K. Nakajima, T. Ohta, e O. Nakata do Shideido Research Center de Yokohama, pela sua pesquisa pioneira "Elucidation of Chemical Compounds Responsible for Foot Malodour," (Elucidação dos Compostos Quimicos Responsáveis pelo Chulé) especialmente por sua conclusão de que pessoas que pensam que têm chulé estão certas, e aquelas que acham que não têm, também estão.
1993 - Literatura – T. Morrison,E. Topol, R. Califf, F. Van de Werf, P. W. Armstrong, e seus 972 co-autores, por publicar um artigo de pesquisa médica que tem 100 vezes mais autores do que páginas. Os co-autores são dos seguintes países Australia, Bélgica, Canada, França, Alemanha, Irlanda, Israel, Luxemburgo, Holanda, Nova Zelândia, Polônia, Espanha, Suiça, Reino Unido e Estados Unidos.
1993 - Nutrição – John Martinez da J. Martinez & Company, Atlanta, pelo Luak Coffee o café mais caro do mundo que é feito com grãos de cafe ingeridos e excretados pelo luak, um mamífero nativo da Indonésia.
1993 - Medicina – James F. Nolan, Thomas J. Stillwell, e John P. Sands, Jr., médicos piedosos do Department of Urology, Naval Hospital, San Diego, California,  pelo seu relatório de pesquisa "Acute Management of the Zipper-Entrapped Penis" (Solução da Crise do Pênis Preso no Zipper).
1993 - Paz – Pepsi-Cola Company das Filipinas, por patrocinar um concurso para criar um milionário e anunciar um número vencedor errado, e assim incitando 800.000 furiosos concorrentes e unindo, pela primeira vez na história da Filipinas, diversas façções em guerra.
1994 - Matemática - Igreja Batista do Alabama,  mensuradora da moralidade, por sua estimativa condado a condado de quantos cidadãos do Alabama iriam para o inferno se não redimissem seus pecados
1997 - Entomologia - Mark Hostetler da Universidade da Florida por seu livro, That Gunk on Your Car, (ISBN 978-0-89815-961-5) que identifica os insetos esborrachados nos parabrisas dos automóveis.
1999 - Educação da Ciência – Ao Conselho de Educação do Estado do Kansas e ao Conselho de Educação do Estado do Colorado, USA por ordenar que as crianças não devem acreditar na teoria da evolução de Darwin, na teoria da gravitação de Newton, na teoria do eletromagnetismo de Faraday e Maxwell e na teoria que germes provocam doenças de Pasteur .
2002 - Medicina -  Peter Brass da Universidade McGill, Canada pelo seu artigo médico de grande impacto "Injuries Due to Falling Coconuts" (Danos provocados pela queda de cocos)
2005 - Paz - Claire Rind e Peter Simmons da Universidade de Newcastle, pelo monitoramento da atividade elétrica das células cerebrais de gafanhotos, enquanto o animal observava cenas selecionadas do filme Guerra nas Estrelas.
2007 - Aviação - Patricia V. Agostino, Santiago A. Plano e Diego A. Golombek, pela descoberta de que hamsters se recuperam mais rapidamente do jetlag se ingerirem Viagra.
2008 - Química - Sheree Umpierre, Joseph Hill, e Deborah Anderson, por descobrirem que Coca Cola é um eficiente espercimida e para C.Y. Hong, C.C. Shieh, P. Wu, e B.N. Chiang que acidentalmente provaram o contrário.
2009 - Biologia - Fumiaki Taguchi, Song Guofu, e Zhang Guanglei da Universidade Kitasato, Escola de Ciências Médicas de Sagamihara, Japão, por demonstrarem que os resíduos de cozinha podem ser reduzidos em mais de 90% se forem misturados a bactérias extraídas das fezes de pandas gigantes.
2010 - Química - Eric Adams, Scott Socolofsky, Stephen Masutani e a British Petroleum por contariar o antiga crença que petróleo e água não se misturam.
2010 - Gestão de Pessoal - Alessandro Pluchino, Andrea Rapisarda, e Cesare Garofalo da Universidade de Catania, Italia, por demonstarem matematicamente que as empresas tornam-se mais eficientes se os funcionários a serem promovidos forem selecionados aleatoriamente.
2010 - Engenharia - Karina Acevedo-Whitehouse  e Agnes Rocha-Gosselin da Zoological Society of London, UK, e Diane Gendron do Instituto Politecnico Nacional, Baja California Sur, Mexico, por aperfeiçoarem o método de coleta do ranho de baleia, usando um helicóptero com controle remoto.
Em 29 de Outubro de 2011, será realizada a 21 Cerimônia Anual do Prêmio Ig Nobel no Teatro Sander da Universidade de Harvard (foto ao lado) que é patrocinada pelas seguintes instituições Harvard-Radcliffe Society of Physics Students, a Harvard-Radcliffe Science Fiction Association, e a Harvard Computer Society. As entradas para a cerimônia já estão à venda em https://www.boxoffice.harvard.edu/online/default.asp

Fontes: http://improbable.com/ig/ig-pastwinners.html
http://improbable.com/ig/2011/
http://www.fas.harvard.edu/~memhall/sanders.html

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Dear Mr. Darwin

Confesso minha ignorância e nisso tenho a certeza que não estou sozinho. O simpático velhinho da foto ao lado que passou grande parte da vida entre as margens do rio Itajahy-Açu e o Desterro (atual Florianópolis) dividido entre os pesados trabalhos da agricultura, a precisa observação, a meticulosa experimentação científica e a troca de correspondências com Charles Darwin, chamava-se Johann Friedrich Theodor Muller. Nascido em 31 de março de 1822 em Windischholzhausen bei Ehrfurt, Türingen, Fritz era filho e neto de pastores protestantes. Se doutorou em filosofia e completou o curso de medicina mas não recebeu o diploma e a licença para clinicar, pois não concordava com o juramento que deveria proferir, com forte conteúdo religioso e incompatível com suas convicções pessoais. Escandalizou a família ao abjurar a fé cristã, pois a mesma não condizia com suas convicções íntimas. Não conseguiria viver com uma verdade nos lábios e outra no coração. Em 1852, emigroucom a esposa e a filha,  como colono para as margens do Itajaí-Açu onde, há dois anos, o Dr. Blumenau havia fundado a colônia alemã que hoje é a cidade de Blumenau. De 1856 a 1867 Fritz lecionou matemática no Liceu do Desterro, na sede da província de Santa Catarina. Foi quando teve contato com "A Origem das Espécies" e tornou-se um obstinado defensor da teoria da evolução das espécies pela seleção natural. Em 7 de setembro de 1863, Fritz Müller concluiu os doze capítulos do livro "Für Darwin" (Pró Darwin) que foi editado e publicado em Leipzig em 1864.
Na frequente troca de correspondências que manteve com Charles Darwin, ele relatava resultados de experimentos científicos e observações, feitas para matar sua própria curiosidade ou atendendo as solicitações do cientista inglês.
Entre as várias curiosidades que escrevia mescladas a relatos científicos, em uma carta endereçada a Darwin, de 9 de setembro de 1868, Müller contou que "O inverno de 1866 foi incomumente frio e as jacutingas vieram da serra em tão grande número que em poucas semanas foram abatidas no Itajaí aproximadamente 50.000". Dessa maneira, não é de espantar que tenham sobrado poucas...
O seguinte trecho de uma das cartas de Darwin a Muller, mostra a quase intimidade que havia entre os dois, mesmo que nunca tivessessem se encontrado pessoalmente: "Eu lhe agradeço de coração a sua carta. Seus fatos e a discussão sobre a perda dos pelos nas pernas das moscas de Caddis, me parecem a coisa mais importante e interessante que li por um bom tempo. Espero que o senhor não me desaprove, mas enviei sua carta para Nature (...) sua opinião pode ser amplamente extendida, ela será um ganho capital para a doutrina da evolução." Em 27 de novembro de 1880, Charles Darwin escreveu a Hermann Müller, irmão de Fritz Müller, perguntando-lhe quais as perdas que Fritz havia sofrido na enchente que havia ocorrido no vale do Itajaí  "(...) muitos de seus livros, microscópio, instrumentos ou outros patrimônios ?"  e ofereceu ajuda de 50 ou 100 libras pela "causa científica, de tal forma que a ciência não deveria sofrer, devido à perda de seus bens."
Fritz Müller enviou 79 cartas a Charles Darwin e recebeu 58 em resposta. Nas edições de "The Origin", Fritz Muller foi citado 17 vezes. O livro escrito por seu sobrinho Alfred Möller "Fritz Müller - Werke, Briefe und Leben" consolidou a sua obra, composta de 248 artigos científicos.
Em 21 de maio de 1897em Blumenau , Fritz Müller morreu aos 75 anos. Um grande cientista e especialmente, um homem de sólidos princípios, tão raros atualmente.

Agradeço ao amigo e jornalista Raimundo Caruso pelo belíssimo presente, o livro de Cezar Zillig (1997) Dear Mr. Darwin - a intimidade da correspondência entre Fritz Müller e Charles Darwin. São Paulo. Sky/Anima Com.e Design. 163p.